31 de jul. 2026 às 09:31
• Sintomas como inchaço nas articulações, rigidez ao acordar, febre sem causa aparente e dificuldade para brincar devem ser investigados
Quando uma criança reclama de dores nas pernas depois de um dia de brincadeiras, é comum que pais e responsáveis associem o sintoma às chamadas “dores do crescimento”. Na maioria das vezes, esse tipo de desconforto é benigno. No entanto, quando a dor é persistente, interfere na rotina ou vem acompanhada de outros sinais, ela pode indicar doenças reumatológicas que também atingem crianças e adolescentes.
Essas doenças podem afetar músculos, articulações e outros órgãos, provocando inflamações, dor, limitação dos movimentos e, em casos mais graves, sequelas permanentes. Embora sejam frequentemente associadas aos adultos, as condições reumatológicas também podem aparecer na infância e exigem atenção para que o diagnóstico seja feito o quanto antes.
Segundo a professora da Afya Porto, Núbia Cristina, especialista em reumatopediatria, é importante saber diferenciar dores consideradas fisiológicas daquelas que precisam de avaliação médica.
“As chamadas dores do crescimento costumam ocorrer principalmente entre os 3 e 12 anos de idade. Geralmente aparecem no final do dia ou à noite, acometem as duas pernas, não causam inchaço, vermelhidão ou limitação dos movimentos, e a criança acorda bem no dia seguinte, mantendo suas atividades normais”.
A especialista reforça que alguns sinais não devem ser ignorados pelos responsáveis. “Dor persistente por semanas ou meses, dor que acorda a criança frequentemente durante a noite, inchaço nas articulações, rigidez ao acordar, manqueira, febre sem causa aparente, perda de peso ou limitação para brincar e praticar atividades físicas são sinais que precisam ser avaliados por um médico”, alerta.
Doenças reumatológicas também afetam crianças
Entre as doenças reumatológicas pediátricas mais conhecidas estão a Artrite Idiopática Juvenil, o Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil, a Dermatomiosite Juvenil, as Vasculites, as Espondiloartrites Juvenis e as síndromes autoinflamatórias.
A Artrite Idiopática Juvenil é considerada a doença reumatológica crônica mais comum da infância. Ela provoca inflamação nas articulações e pode causar dor, inchaço, rigidez matinal e dificuldade de movimentação. Já o lúpus pode comprometer diferentes órgãos, como pele, rins, sangue e articulações. A dermatomiosite juvenil, por sua vez, afeta principalmente os músculos e pode causar fraqueza progressiva.
Para Núbia, a observação da rotina da criança é uma das principais formas de perceber quando algo está fora do esperado.
“As manifestações variam conforme a doença, mas muitas delas começam de forma sutil. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis observem mudanças no comportamento e na rotina da criança”.
Sinais podem ir além da dor
Apesar de a dor nas articulações ser um dos sintomas mais lembrados, ela nem sempre é o primeiro sinal de uma doença reumatológica. Alterações na forma de caminhar, quedas frequentes, fraqueza muscular, fadiga excessiva, febre recorrente, manchas na pele, sensibilidade ao sol, olhos vermelhos e dificuldade para realizar atividades simples também podem servir de alerta.
“Mudanças sutis também podem ser importantes. Uma criança que deixa de correr, brincar ou participar de atividades que antes realizava com facilidade merece atenção”, explica.
Outros sinais, como inchaço persistente nas articulações, dificuldade para subir escadas, rigidez ao acordar e redução no ritmo de crescimento, também devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Diagnóstico precoce ajuda a evitar sequelas
Um dos principais desafios das doenças reumatológicas na infância é o diagnóstico tardio. Muitas vezes, os sintomas são confundidos com dores comuns, cansaço ou problemas ortopédicos, o que pode atrasar o início do tratamento.
“O diagnóstico precoce é fundamental porque a inflamação persistente pode causar danos permanentes. Quando o tratamento demora, podem surgir deformidades articulares, limitações de movimento, alterações no crescimento ósseo e até comprometimento de órgãos internos, dependendo da doença”.
Em alguns casos, também podem ocorrer problemas oculares, especialmente em crianças com Artrite Idiopática Juvenil, além de impactos emocionais, escolares e sociais causados pelas limitações da doença.
Quando procurar atendimento especializado
A orientação é buscar avaliação médica sempre que os sintomas forem persistentes, atrapalharem a rotina da criança ou vierem acompanhados de sinais como febre sem causa aparente, perda de peso, inchaço, rigidez, alterações na marcha ou dificuldade para brincar.
“O reumatologista pediátrico é o especialista capacitado para identificar doenças inflamatórias e autoimunes da infância, diferenciando-as de condições benignas e iniciando o tratamento adequado o mais cedo possível”.
Com acompanhamento especializado, é possível controlar a inflamação, prevenir sequelas e monitorar o crescimento e o desenvolvimento da criança ao longo do tratamento.
