22 de set. 2026 às 13:29
A notícia que chegou nesta terça-feira (22) à cidade onde nasceu o cantor Rick foi a confirmação de uma morte que encerra uma trajetória construída entre a música sertaneja, a composição e a vida pública. O artista, conhecido nacionalmente pela dupla com Renner, morreu aos 59 anos depois que o helicóptero em que viajava caiu na Serra de Santa Catarina. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte das cinco pessoas que estavam a bordo.
Rick, cujo nome era Geraldo Antônio de Carvalho, nasceu em Monte do Carmo, no Tocantins, em 5 de dezembro de 1966. Começou na música aos 12 anos, inicialmente ao lado da irmã, Dalva, antes de construir a parceria que o levaria a uma das duplas mais conhecidas do sertanejo brasileiro.
A história com Renner começou em 1986. Durante os anos seguintes, os dois se apresentaram em casas noturnas até gravarem, primeiro, um trabalho independente e, em 1992, o primeiro disco oficial da dupla. A projeção nacional cresceu ao longo da década e atingiu um dos principais momentos em 1998, quando “Ela É Demais” se tornou um dos grandes sucessos de Rick e Renner.
A dupla também ficou conhecida por músicas como “Cara Metade” e outras canções que ajudaram a consolidar a carreira dos dois no sertanejo. Ao longo de cerca de 25 anos de trajetória conjunta, Rick e Renner venderam mais de 10 milhões de CDs, segundo informações divulgadas sobre a carreira da dupla.
Rick também construiu uma trajetória própria como compositor. Seu trabalho não se limitou às músicas gravadas por ele e por Renner. Ao longo da carreira, escreveu canções registradas no Ecad e teve composições interpretadas por outros artistas do sertanejo. A atividade como compositor e produtor acompanhou diferentes fases da vida profissional do cantor.
A ligação de Rick com o Tocantins, porém, foi além da origem e das referências que levava para a carreira artística. Em janeiro de 2014, ele deixou momentaneamente os palcos para assumir um cargo no governo estadual. O então governador Siqueira Campos nomeou Geraldo Antônio de Carvalho, o Rick, como secretário de Promoção Cultural do Tocantins.
A posse ocorreu em 13 de janeiro daquele ano, no Palácio Araguaia. Na ocasião, Siqueira Campos apresentou Rick como um artista tocantinense de projeção nacional e atribuiu ao cantor a missão de promover o Estado e fortalecer o setor cultural.
Ao assumir o cargo, Rick afirmou que pretendia ouvir os diferentes setores da cultura e trabalhar para divulgar o potencial artístico do Tocantins. A passagem pela administração pública durou cerca de sete meses.
Em 5 de agosto de 2014, Rick entregou o cargo de secretário extraordinário de Promoção Cultural. Na carta em que oficializou a saída, escreveu que pretendia continuar levando o nome do Tocantins de forma positiva e defendendo a valorização das manifestações culturais do Estado. A experiência marcou uma fase pouco comum na trajetória de um artista que havia construído sua carreira principalmente diante do público e dos palcos.
Na música, Rick e Renner também atravessaram períodos de separação e reencontro. A dupla interrompeu a parceria entre 2010 e 2012 e voltou a se separar em 2015. Em 2018, os dois retomaram os trabalhos e passaram a cumprir novamente uma agenda de shows.
A carreira seguia ativa quando ocorreu o acidente em Santa Catarina. Rick estava entre os passageiros de um helicóptero Bell 430 que havia decolado de Porto Belo, no Litoral Norte, com destino a São Joaquim. A aeronave perdeu contato durante o trajeto na segunda-feira (21), em uma região de serra que enfrentava condições meteorológicas adversas.
As buscas avançaram durante a noite e foram retomadas nesta terça-feira. Destroços foram localizados em uma área de mata de difícil acesso, e o Corpo de Bombeiros confirmou que nenhuma das cinco pessoas a bordo sobreviveu. Entre as vítimas estavam Rick, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e o piloto da aeronave. A identidade da quinta vítima ainda não havia sido divulgada pelas autoridades na atualização mais recente.
A operação de busca envolveu bombeiros, cães de resgate, drones e aeronaves. A localização dos destroços encerrou a procura pelo helicóptero e abriu a etapa de remoção das vítimas e de investigação das circunstâncias da queda.
Rick deixa seis filhos e dois netos. Para o Tocantins, sua morte representa também a partida de um artista que saiu de Monte do Carmo ainda jovem, alcançou projeção nacional ao lado de Renner e, anos depois, voltou ao Estado para ocupar uma função diretamente ligada à promoção da cultura tocantinense.
A carreira que começou com um garoto de Monte do Carmo aprendendo música aos 12 anos passou por palcos, discos, composições e milhares de apresentações. Em 2014, passou também pelo Palácio Araguaia. Nesta terça-feira, terminou de forma repentina, longe do Tocantins, mas depois de mais de quatro décadas em que o nome de Rick esteve ligado à música e à identidade cultural do Estado.
