9 de jan. 2026 às 09:12
A combinação de medicamentos faz parte da rotina de milhões de brasileiros, especialmente entre idosos, pessoas com doenças crônicas e pacientes em tratamento contínuo. No entanto, o uso simultâneo de diferentes remédios pode provocar interações medicamentosas capazes de reduzir a eficácia dos tratamentos, desencadear efeitos adversos graves e, em situações extremas, colocar a vida em risco. O tema, frequentemente negligenciado, é hoje reconhecido como um dos principais desafios de saúde pública no país.
Interações medicamentosas ocorrem quando o efeito esperado de um medicamento é alterado pela presença de outra substância, que pode ser outro remédio, um alimento, bebida alcoólica, suplemento ou fitoterápico. A cardiologista e professora da Afya Educação Médica de Palmas, Alice Póvoa, explica que essa alteração pode tanto diminuir quanto potencializar ou até modificar completamente a ação do medicamento. “A interação medicamentosa acontece quando o efeito esperado daquela medicação é alterado por alguma substância. Não precisa ser necessariamente outro medicamento. Pode ser um alimento, álcool ou até um fitoterápico”, afirma.
Um exemplo comum citado pela cardiologista é o da levotiroxina, medicamento amplamente utilizado no tratamento do hipotireoidismo. “É um remédio que deve ser tomado em jejum e longe das refeições. Quando o paciente ingere com o alimento, o efeito diminui muito. Às vezes, a pessoa acaba usando doses cada vez maiores porque acredita que o medicamento não está funcionando, quando, na verdade, está tomando de forma inadequada”, explica. Segundo ela, esse tipo de situação ilustra como a interação pode mascarar o tratamento e induzir a erros que agravam o quadro clínico.
Grupos vulneráveis
Embora qualquer pessoa possa estar sujeita a interações medicamentosas, alguns grupos são mais vulneráveis. Entre eles estão os idosos, especialmente aqueles em situação de polifarmácia — termo utilizado para designar o uso simultâneo de vários medicamentos.
“O idoso costuma ter mais comorbidades e, consequentemente, mais prescrições. Muitas vezes, são medicamentos com horários diferentes ou princípios ativos semelhantes, o que dificulta o uso correto e aumenta o risco de interações”, observa Alice Póvoa. Essa complexidade favorece confusões, esquecimentos e associações perigosas, mesmo quando não há automedicação.
Além dos idosos, crianças com menos de 5 anos, pessoas com doenças crônicas e pacientes em tratamento contínuo ou prolongado também estão são consideradas mais vulneráveis às interações.
Sinais de alerta
Os sinais de alerta para possíveis interações medicamentosas são variados e nem sempre facilmente reconhecidos. Conforme a cardiologista, quedas de pressão ao se levantar, tonturas, palpitações, dor no peito, confusão mental, tremores, agitação e até alucinações podem indicar que algo não está bem. “O paciente pode apresentar sintomas que não seriam efeitos colaterais esperados daquele medicamento, como confusão mental ou alterações no ritmo do coração”, alerta.
Distúrbios gastrointestinais, como náuseas, vômitos, dor no estômago e perda de apetite, também podem estar associados a interações e não devem ser ignorados.
Cuidados
Grande parte desses problemas poderia ser evitada com medidas simples de organização e comunicação. A professora da Afya destaca a importância de manter a prescrição sempre atualizada e compartilhada com todos os profissionais que acompanham o paciente. “Às vezes, a pessoa passa por mais de um médico, recebe prescrições diferentes e acaba usando medicamentos com o mesmo princípio ativo sem perceber. Ter consultas regulares e uma receita organizada ajuda a reduzir muito esse risco”, explica.
Outra orientação prática é o uso de organizadores de medicamentos, especialmente para pacientes que fazem uso contínuo. “As caixinhas organizadoras por dia da semana e por turnos — manhã, tarde e noite — facilitam a rotina, evitam que os medicamentos sejam tomados juntos de forma inadequada e ajudam a respeitar os horários corretos”, orienta. Para idosos, o apoio de familiares ou cuidadores também é considerado fundamental para garantir segurança no uso dos medicamentos.
Além do cuidado individual, a discussão sobre interações medicamentosas reforça a importância da formação médica e da atuação de especialistas comprometidos com a educação em saúde. Na Afya Educação Médica de Palmas, docentes e profissionais da saúde atuam na formação de foco na prática clínica responsável, na prevenção de riscos e na orientação adequada dos pacientes. “Informar, orientar e acompanhar o uso correto dos medicamentos é uma das formas mais eficazes de evitar complicações graves e internações que poderiam ser prevenidas”, destaca Alice Póvoa.
Afya Amazônica
A Afya tem uma forte relação com a Amazônia, com 16 unidades de graduação e pós-graduação na Região Norte. O estado de Tocantins conta com três instituições de graduação: Afya Palmas, Afya Porto Nacional e Afya Unitpac (em Araguaína) e uma unidade de pós-graduação na capital tocantinense. Tem ainda nove escolas de Medicina em outros estados da Região: Acre (1) Amazonas (2), Rondônia (2) e Pará (4). Além delas, a Afya também está presente na região com 3 unidades de pós-graduação médica nas capitais Belém (PA), Manaus (AM) e Porto Velho (RO).
